Juciara Vasconcelos - Campina Grande/PB em 12/08/2009
Você já se perguntou sobre a invenção das sacolas plásticas, esse “acessório indispensável” da vida moderna? Pois é, com o principal objetivo de alavancar os desejos consumistas da civilização, em 1862 o inglês Alexander Parkes inventou o plástico. Não demorou muito para que esse elemento se tornasse extremamente popular e também um dos maiores problemas ambientais do planeta.A distribuição gratuita em supermercados, lojas e nos mais diversos lugares que embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora, não importando o tamanho do produto, espalharam pelo mundo o inconveniente ecológico, que é produzido a partir de uma resina chama polietileno de baixa densidade, que demora aproximadamente 300 anos para se decompor na natureza.O problema ganha uma proporção maior, quando avaliamos os padrões de consumo pautados pelo status social, onde quanto mais sacolas o cidadão carregar, maior o seu poder de compra e a sua aceitação pela sociedade, por isso, em todo o mundo são produzidos 500 bilhões de unidades a cada ano, o equivalente a 1,4 bilhão por dia ou a 1 milhão por minuto. Para se ter uma idéia, somente no Brasil, 1 bilhão de sacolas são distribuídas nos supermercados mensalmente - o que dá 66 sacolas por brasileiro ao mês.Geralmente a utilização das sacolas plásticas é bem passageira, tendo a mesma uma única utilidade que é o transporte de objetos. Entretanto, o consumidor sempre tem a sensação de que vai precisar deles novamente, em alguns casos, acumulando em suas residências uma quantidade significativa de sacolas que com o passar do tempo têm um destino certo, o lixo! Quando deixam de ser úteis porque foram danificados, rasgados ou dispensados, os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plásticos na natureza causa inúmeros desastres ambientais, sendo o consumidor um colaborador passivo desse incidente.Porém, alguns países já adotaram medidas no intuito de diminuir a produção e o uso desenfreado de sacolas plásticas. A Irlanda, por exemplo, criou o imposto “PlasTax” que cobra 0,15 euros, ao consumidor por cada sacola distribuída o que resultou numa diminuição de 90% no uso de sacolas, sendo esse valor investido em projetos ambientais.Em Banglasdesh, a medida tomada foi ainda mais radical! No intuito de impedir os constantes entupimentos de esgotos e os desastres ambientais, a produção, compra e o uso de sacolas à base de polietileno é estritamente proibido e desrespeitar essa lei pode implicar no pagamento de multas e até em prisão, caso o acusado seja reincidente.Na Alemanha, as sacolas plásticas são pagas pelo consumidor nos supermercados e cultiva-se o hábito de utilizar sacos de pano reutilizáveis ou caixas de papelão no transporte de itens, que é uma prática bastante utilizada em algumas redes de supermercados e lojas de departamentos bem conhecidas aqui no Brasil.Iniciativas como o Projeto “Néosac”, na França, também mostram uma tendência no que se refere ao desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis, onde sacolas plásticas biodegradáveis estão em estudo para posterior lançamento no mercado. Estas sacolas se decompõem em aproximadamente três meses (sob a presença de luz) produzindo gás carbônico, água e biomassa (DEGRADAVEL, 2006).Mais, na maioria dos países, o uso de sacolas plásticas ainda é livre e sem nenhum custo para o consumidor, não existindo nenhuma política de conscientização para os danos causados pelas simples e “inofensivas sacolinhas”.No Brasil, seguindo a tendência francesa, desde 2008, algumas empresas de plásticos já estão trabalhando em seus processos numa perspectiva sustentável, produzindo embalagens plásticas de rápida degradação, através da utilização de elementos que deixam o produto naturalmente degradável. Essas empresas têm uma cartela de clientes significativa, que conta com farmácias, supermercados, shopping centers, além de condomínios residenciais e comerciais.Mais isso ainda não é suficiente!O Brasil exerce um papel de destaque no grupo dos países em desenvolvimento, podendo esse momento ser oportuno para a implementação de novas tecnologias sustentáveis para o processo produtivo do plástico, visando minimizar impactos negativos e a promoção de impactos positivos para o meio ambiente, a qualidade de vida das pessoas e a sustentabilidade da sociedade.Ao mesmo tempo, deve ser desenvolvida uma política nacional, no intuito de sensibilizar os consumidores para a importância na diminuição do uso de sacolas plásticas ou pela opção das sacolas biodegradáveis e/ou mais resistentes, exercendo seu papel de cidadão e exigindo esses produtos no ato da compra, como forma de estimular uma mudança social.Somente através da mudança dos nossos hábitos enquanto consumidores e cidadãos poderemos contribuir com um mundo mais limpo. A vida no planeta agradece!!!
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