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É hora de voltar a falar em crescimento!

Irenaldo Quintans - João Pessoa/PB em 17/08/2009

 

A hipertensão arterial e as têmporas prematuramente embranquecidas de alguns empresários - como é o meu caso -, para muito além de uma decorrência natural da idade, são o protesto do corpo em face das imensas dificuldades que enfrentamos diariamente para levar adiante a nossa lida. Mas já foi pior.

Quem, com mais de trinta anos, não se recorda dos sérios problemas pelos quais passou a economia brasileira nas difíceis segunda metade da década de oitenta e primeira da de noventa? Se a área de militância era a construção civil, então, as memórias são especialmente amargas: durante o congelamento de preços perpetrado por uma dessas experiências estapafúrdias, para comprar meio caminhão de cimento passávamos horas numa fila quilométrica, à mercê dos maruins do porto do Capim, com o dinheiro no bolso, em espécie, visto que, em economia de guerra, os papéis perdem a serventia.

Lembramo-nos, também, sem saudade, de outro plano “genial”, anunciado com pompa numa manhã de fim de verão em que acordamos todos nivelados financeiramente, vez que todas as disponibilidades individuais em bancos, acima de cinqüenta mil cruzeiros (o suficiente para uma semana de gastos numa empresa pequena), foram alvo de retenção oficial, “sine die” para devolução.

Pois bem. Hoje, fala-se em mais uma crise internacional. E é crise de manhã, de tarde e de noite. Está certo. Vamos ouvir os conselhos dos especialistas. Vigilância no excesso de endividamento. Olho nas contas. Torniquete no desperdício. Atitudes sensatas; todas, com ou sem crise. Ninguém defende mais a precaução do que eu, um estóico de carteirinha. Tento, a duras penas, pois as tentações são muitas, conduzir-me por essa trilha.

Todavia, neste momento da vida nacional, temos razões de sobra para abandonar um pouco essa postura temerosa. Temos os indicadores macroeconômicos do país em um estágio de equilíbrio talvez jamais alcançado. Inflação, juros básicos, câmbio, déficit primário e dívida pública costurados em parâmetros absolutamente razoáveis graças a uma feliz combinação de competência e independência na condução política monetária. Temos uma posição internacional invejável: obtivemos o desejado “grau de investimento”, coisa de país rico ou muito promissor. Temos um PAC. Temos um “Minha Casa Minha Vida”. Temos um Banco do Brasil e uma Caixa Econômica. Temos um Lula.

E, acima de tudo, temos a nós mesmos, enquanto empresários e cidadãos. Nossa criatividade e empreendedorismo impressionam o mundo. E as nossas crescentes seriedade, ética, experiência e consciência social nos capacitam a trabalharmos na luz, com destemor, sem medo de crise alguma. Cautela é bom. Porém demais paralisa. Melhor é prudência: saber a hora de fazer o quê. E acho que está na hora de voltarmos a falar em crescimento.


 


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