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Postado às 10:39 do dia 03 de Setembro de 2009

Responsabilidade Social: o papel das empresas

Juciara Vasconcelos - Campina Grande/PB
Com as mudanças ocorridas no mundo do trabalho, nas ultimas décadas, consolidadas a partir da Revolução Industrial e do pós guerra, um novo modelo mundial de desenvolvimento econômico, pautado na automação e no uso da tecnologia veio a tona. Esse novo modelo trouxe conseqüências sociais, econômicas e psicológicas para a sociedade e para os trabalhadores, que acabaram ficando a deriva dos processos produtivos, que dispensavam a mão de obra humana para funcionar ou exigiam profissionais com qualificação específica.
 
Nesse contexto, a automação industrial que tinha como principal objetivo reduzir custos e maximizar a produção resultou numa inevitável falta de planejamento e preparo em relação ao que fazer com os trabalhadores destituídos de suas funções.
 
O Estado então passou a assumir novas responsabilidades, visando aumentar o consumo e garantir a empregabilidade dos trabalhadores, entretanto, com o aumento desordenado da população, esses problemas ficaram ainda mais alarmantes, resultando no descontrole por parte do poder público no que se referia aos direitos dos trabalhadores e a qualidade de vida da população.
 
Esse novo cenário impulsionou o surgimento de inúmeros movimentos sociais que transformavam a sociedade como agente co-responsável pelos problemas sociais advindos da automação.
Dessa forma teve início o movimento da Responsabilidade Social que perpassa por vários temas do cotidiano da sociedade, podendo ser abordada no contexto das organizações do governo, das organizações empresariais, das organizações representativas da sociedade civil como também de todos os indivíduos ou cidadãos. Essa responsabilidade refere-se à ética e à transparência das relações entre as pessoas, devendo refletir-se em todas as decisões cotidianas e que podem causar algum impacto na sociedade. Ou seja, a responsabilidade social diz respeito ao agir das pessoas, à forma de gestão de suas ações, individualmente ou representando suas organizações, em seus diversos campos de atuação, de modo que possa ser promovido o bem comum, na perspectiva do desenvolvimento sustentável.
 
Durante muito tempo as empresas forma pressionadas a se preocupar somente com a qualidade dos produtos, com preço competitivo e com a maximização do lucro. Hoje, uma nova visão do mundo organizacional chama a atenção para as questões como a subjetividade, a ética, a transparência, a diversidade de aspectos socioculturais, econômicos e respeito às garantias aos direitos humanos como sendo indispensáveis na atuação responsável.
 
Como resposta a essa nova postura empresarial, temos o fortalecimento da imagem das empresas, fidelização dos clientes, lealdade de todos os públicos, maior capacidade de recrutar e manter talentos, flexibilidade e capacidade de adaptação e longevidade.
 
Dessa forma, entende-se como responsabilidade social uma nova estratégia para aumentar o lucro e potencializar o desenvolvimento das empresas, tendo em vista que o consumidor está cada vez mais consciente e procurando por produtos e empresas com práticas pautadas na melhoria da qualidade ambiental e no relacionamento com a comunidade, valorizando aspectos como a cidadania e a ética.
A responsabilidade social corporativa é o compromisso voluntário das empresas com o desenvolvimento da sociedade e a preservação do meio ambiente, desde sua composição social até um comportamento responsável com as pessoas e os grupos sociais aos quais integram.
 
O Instituto Ethos define Responsabilidade Social Empresarial como “a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais.”
 
Outro ponto importante está na maturidade empresarial em relação ao seu papel perante a sociedade. Antes a responsabilidade social e a filantropia eram bastante confundidas, porque muitas empresas acreditavam que ações pontuais como: doações, assistencialismo e caridade, representavam o exercício da cidadania empresarial. Com o tempo esse percepção começou a mudar e os conceitos ficaram mais claros.
Hoje, a maioria das empresas já sabe que a filantropia tem como base os princípios da caridade, da custódia e do amor a humanidade, enquanto a responsabilidade social corporativa vai além da questão humanitária, representando a postura da empresa na busca de qualidade nas relações que ela estabelece com todos os seus stakeholders, que interferem direta ou indiretamente no negócio, incorporado à orientação estratégica da empresa e refletindo eticamente em relação as dimensões: econômica, ambiental e social.
 
Gerir uma organização empresarial de modo socialmente responsável não implica abandonar os objetivos econômicos, mas sim, agregar valores sociais a essa gestão, como avaliar os impactos na comunidade, na geração de emprego e renda dos funcionários, no financiamento de sua educação e na adoção de políticas ambientais compatíveis com os processos da empresa. Dessa forma as empresas estarão exercendo o seu principal papel que é desenvolver a sociedade e contribuir para a sustentabilidade, sem deixar de lado os lucros.
 

Juciara Vasconcelos, Consultora de Responsabilidade Social Empresarial do SESI/PB, Graduada em Administração de Empresas e Pós-graduanda em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.



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