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A Importância dos Jogos Didáticos no Processo de Ensino Aprendizagem para Deficientes Intelectuais

Karla Abrantes - Campina Grande em 12/08/2010

 

Sabendo-se que a comunicação é inerente ao indivíduo e que o desenvolvimento linguístico e cognitivo do aluno faz que ele tenha a capacidade de interagir socialmente, tanto na escola, quanto no ambiente social no qual está inserido, proporcionando-lhe uma maior eficiência e qualidade na construção dos conhecimentos, o ambiente escolar tem o papel de desenvolver um trabalho pedagógico pautado na perspectiva comunicativa.
 
Conforme as considerações feitas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, o aluno terá a possibilidade de atingir um nível de competência linguística, desde que os procedimentos didáticos sejam contextualizados, comunicando-se em situações variadas da vida cotidiana, concebendo as diferentes formas de pensar, criar, sentir e agir.
 
A motivação para o desenvolvimento desta pesquisa intitulada Natureza sociointeracional dos jogos didáticos e suas implicações no processo ensino-aprendizagem para os deficientes intelectuais deve-se à necessidade de investigar o estímulo dado ao aluno pelo educador, partindo do pressuposto da importância dos jogos didáticos contextualizados como uma atividade de natureza sociointeracional, capaz de promover experiências na aprendizagem sob o ponto de vista cognitivo, contribuindo para o desenvolvimento autônomo do aprendiz estimulando-o a aprender brincando.
        
Os jogos lúdicos estimulam o aluno com necessidades educacionais especiais ao uso do imaginário, ou seja, a atividade psicomotora faz que se prenda à realidade, ao que está sendo aplicado em sala de aula. Na sua imaginação, faz funcionar diversos circuitos cerebrais em que se armazenam o vocabulário, a gramática, o discurso, sem contar com as informações introduzidas na interpretação de imagens, mecanismo este de extrema importância quando se refere ao processo de aprendizagem da pessoa com deficiência.
 
Independentemente de classe social e da cultura, os jogos são de suma importância na educação, experimentando formas de pensar e ser, ampliando suas concepções sobre coisas e pessoas, elaborando hipóteses para sobressair-se de situações confusas, fazendo que no seu amadurecimento cronológico as situações que a vida vai lhe impor deixe de ser centradas em si para ter uma socialização crescente.
 
É por meio das atividades lúdicas que o aluno com deficiência passa a interagir com os aspectos mais íntimos da sua personalidade, explorando objetos que o cercam, experimentando seus sentidos, melhorando sua agilidade, desenvolvendo seus pensamentos, trabalhando sua autoestima – algumas vezes sozinhos, outras conhecendo a si mesmo, podendo até se autoavaliar, e, em outras vezes, aprendendo a conviver em grupo e a socializar suas idéias.
 
Constatamos que para o professor tornar-se motivador de seus alunos durante o desenvolvimento de uma atividade lúdica necessita ter competência e sensibilidade diante do conteúdo exposto, para que eles sejam considerados sujeitos ativos no processo de aprendizagem. Ou melhor, para que haja desenvolvimento na aprendizagem, o aluno precisa sentir-se motivado para socializar seus conhecimentos prévios sobre o assunto tratado, atuando como um agente reflexivo, criativo e participativo em consonância com o estímulo dado pelo professor e pelas circunstâncias que o cercam.
 
A palavra “jogo” origina-se do vocábulo latino ludus, que significa diversão, brincadeira, reconhecida como meio de fornecer à criança um ambiente agradável, motivador, planejado e enriquecido, que possibilita a aprendizagem de várias habilidades por meio de treinamento e experiência, variando de um simples hábito às técnicas mais complexas.
 
A criança desde o seu nascimento está inserida em um contexto social que a irá moldar e a identificar a partir do seu desenvolvimento por meio de suas experiências vividas. É por meio dos jogos que o aluno passa a introduzir um modo de assimilar e recriar a experiência sociocultural dos adultos; garantindo a interação e a construção de conhecimentos da realidade em relação aos sistemas simbólicos próprios.
 
O jogo é uma atividade interativa, social, cultural e construtiva na formação do indivíduo, tornando-o capaz de tomar decisões, descobrir, escolher, pensar e experimentar novas situações de aprendizagem.
 
É no ato de jogar que o aluno pode colocar para si desafios e questões, levantando hipóteses, na tentativa de compreender os problemas que surgirão em relação à realidade, contribuindo ao mesmo tempo para desenvolver a sua imaginação, bem como para estabelecer relações de organização e convivência.
 
O trabalho de criação de jogos tem mostrado eficiência na prática psicopedagógica produzindo excelentes resultados psicomotores, desenvolvendo nos alunos com deficiência intelectual suas habilidades, potencialidades, auxiliando-os nos distúrbios específicos da aprendizagem e propiciando-lhes uma preparação na sua formação para a fase adulta. Observando algumas atitudes da brincadeira Usova (apud WASKOP, p. 84) comenta:
 
[...] a pedagogia concebeu materiais que se fundamentavam em ações e situações de jogo, mas tanto num sentido como no outro introduziu tarefas didáticas. Nos jogos didáticos, dessa natureza, a criança aprende a falar, a cantar etc., condicionada aos objetivos colocados. A criança aprende, brincando, a aplicar os conhecimentos adquiridos na brincadeira de forma involuntária e inadvertida. O objetivo didático fica oculto frente à criança... a criança simplesmente brinca, mas no fundo, esse é um processo de aprendizagem involuntário e imperceptível.
 
O jogo possui vários objetivos pedagógicos como: trabalhar a ansiedade dos alunos por meio de atividades que exigem concentração; rever limite, pois é pelos jogos que o aluno se enquadra em regras, reagindo com suas emoções para aprender a ganhar e perder, aprendendo inclusive a respeitar e ser respeitado; proporcionar confiança em si e nos outros; estimular a autoestima; confeccionar jogos, fazendo que a criança tenha a oportunidade de errar, acertar, construir, criar, copiar, desenvolver planos aumentando sua autoestima, acreditando que é capaz de fazer muitas coisas para si; desenvolver a autonomia, proporcionando ao aluno a oportunidade de responsabilizar-se por suas escolhas e atos; ampliar o raciocínio lógico, exigindo planejamento e estratégias para raciocinar.
 
A atividade lúdica nos fornece informações essenciais a respeito da criança, das suas emoções, da forma como interage com seus colegas, do seu estágio de desenvolvimento, do seu nível linguístico e da sua formação moral. O jogo não é apenas um simples ato de brincar, mas é por meio dele que o aluno passa a autoconhecer-se e descobrir o mundo.
 
O desenvolvimento e o aprendizado da criança não acontecem apenas em de sala de aula, fora dela o aluno está em contato com outras crianças, com adultos e com meios de comunicação diversificados, que exercem poder de influência sob seu comportamento.
 
Os jogos são classificados de acordo com o conteúdo lúdico (a relação do meio com o propósito do jogo e o comportamento dos jogadores) e a forma (espaço, número de participantes, regras). Cada jogo possui características especiais e específicas, podendo haver possíveis modificações que o professor realiza em função dos seus objetivos.
 
Segundo Vygotsky (apud Friedmann, p. 36), o jogo é imprescindível para o desenvolvimento cognitivo, pois o processo de criar situações imaginárias leva ao desenvolvimento do pensamento abstrato. Isso acontece porque novos relacionamentos são criados no jogo entre significados, objetos e ações.
Leontiev (op. cit., p. 37) acredita que a ação dá sentido à brincadeira, levando a criança à descoberta da realidade objetiva. Assim, o papel da atividade lúdica passa a determinar tanto as relações das crianças com o objeto estudado quanto com as afinidades estabelecidas entre os participantes do jogo.
 
Partindo de uma concepção socioconstrutivista-interacionista, o jogo passa a garantir a construção do conhecimento, do desenvolvimento e da interação entre indivíduos, trazendo para sala de aula uma perspectiva criativa, autônoma e consciente, influenciada pelo meio.
 
No jogo, o aprendiz experimenta os fatores e as variantes estipuladas pela sociedade, podendo assim concordar ou discordar deles, o que contribui para seu desenvolvimento social, levando-o a aprender, a solucionar conflitos, a fazer negociações, a ser leal e a usar estratégias, tanto de cooperação quanto de competição social, usando futuramente para um encontro com o mundo.
 
Para o construtivista Jean Piaget (1978, p. 190) “...o organismo assimila incessantemente o meio à sua estrutura, ao mesmo tempo em que acomoda a estrutura ao meio, a adaptação constituindo um equilíbrio entre tais trocas”.
 
O desenvolvimento do conhecimento é um processo espontâneo de interação entre sujeito e meio, produto da própria criatividade da criança, e sua aquisição depende da assimilação de determinadas informações em certos níveis de desenvolvimento.
 
Como resultado dessa interatividade se dá o processo de adaptação com o meio, em que o aluno passa a aperfeiçoar seu poder crítico, proporcionando a capacidade do conhecimento e das estruturas mentais que são construídas gradativamente, das mais simples às complexas.
 
A linguagem é o produto no processo de desenvolvimento, ela só aparece depois do pensamento, é uma forma de comunicação e expressão, que pode ser trabalhada com as atividades lúdicas que é o canal no qual os pensamentos e os sentimentos são expressos pelo aluno. A partir de algumas observações no contexto do trabalho em grupo Kamii e Devries (op. cit., p. 67) afirmam:
 
Os papéis de cada criança são interdependentes, pois um não pode existir sem o outro; opostos, pois um tem que prever o que o outro vai fazer, o que implica a possibilidade de usar estratégias; são colaboradores, pois o jogo não pode acontecer sem um mútuo acordo dos jogadores nas regras, e uma cooperação, seguindo-as e aceitando suas conseqüências.
 
Todos os jogos possuem regras convencionais arbitrárias que são fixadas muitas vezes por consenso, mas existem os jogos sociais no quais os alunos expõem suas regras, o que é de extrema importância para o seu desenvolvimento integral e para a sua autonomia.
 
A interação é um processo social que estabelece relações entre indivíduos e grupos sociais. Alguns interagem pela necessidade de realização, de sentirem-se úteis socialmente; outros pela necessidade de sentirem-se membros de algum grupo, que é a necessidade de filiação, e há também aqueles que têm a pretensão de influenciar pessoas, de sobrepor-se, de adquirir prestígio, ou pela necessidade de poder.
 
O ser humano age na sociedade de diferentes maneiras: individualmente e coletivamente. Individualmente, quando não interage na sociedade com outros indivíduos. Coletivamente, quando interage entre um indivíduo e outro (estabelecendo uma relação de amizade), entre um indivíduo e um grupo (na sala de aula interagindo com o professor) e entre dois grupos (disputa entre duas equipes).
 
Na sala de aula, existe um grupo de interação permanente, professor (a) e alunos, com um objetivo comum, a troca de conhecimento. No entanto, esse grupo é formado pelas circunstâncias, nas quais ao professor atribui-se uma turma sem que ele possa escolher, e aos alunos cabe a expectativa para saber quem serão seus professores; além disso, deve-se a obrigação de estudar imposta pela sociedade, pelos pais e pela lei.
 
O entrosamento em um novo grupo acarreta algumas adaptações e modificações de comportamento, algumas vezes de modo discreto, em outras de modo radical, especialmente em tímidos, inquietos e pessoas com deficiência. Observando o comportamento do professor, Leal e Celistre (2000, p. 107) afirmam que:
 
A habilidade, que torna o professor mais capaz de provocar comportamentos, requer desempenhos vinculados mais diretamente à estimulação do aluno. O professor utiliza, inclusive, sua própria presença como objeto de estímulo. São considerados: os movimentos, gestos, mudanças de estilo de interação, pausas e mudanças dos canais receptores – silêncio ou entonação verbal.
 
Existem alguns fatores extraescolares e escolares que podem influenciar no isolamento do aluno com deficiência dentro de sala de aula, entre os quais podemos destacar: o preconceito pelas pessoas em sala de aula; as repressões do seu meio familiar que contribuem para que o aluno se feche no seu ambiente escolar; a heterogeneidade de classe social que na maioria das vezes distancia um aluno do outro; a conduta do professor ao demonstrar preferência por aqueles alunos mais participativos e a falha administrativa ao priorizar a participação dos alunos que mais se destacam em eventos culturais.
 
A cooperação é um dos processos de interação social que mais contribui para a educação; por isso, deve ser estimulada pelo professor por meio de atividades que venham a contribuir para que os alunos aprendam a conviver com os outros, valorizando mais o bem da coletividade do que o interesse individual. Leal e Celistre (op. cit., p. 117) ressaltam:
 
[...] a tarefa do professor nesse momento será articular uma metodologia de ensino que se caracterize pela variedade de atividades estimuladoras da criatividade dos alunos. Nessa tarefa, inclusive, a participação dos educandos será bastante enriquecedora.
 
A atitude do professor reflete na sua prática profissional, ele deve estar centrado nos alunos, pensar no contexto socioemocional que interage, ter tranquilidade no que faz, estabelecendo uma harmonia e confiança com a sua turma, enfim, criar ambientes para que seus alunos sejam estimulados a pensar e explorar.
 
O educador tem a capacidade de criar situações que facilitem a construção de valores, ou seja, uma identidade moral, uma vez que seus alunos possam se adequar a sociedade na qual vivem, respeitando as adversidades e construindo seu próprio mundo, ajudando-os a esclarecer seus problemas.
 
Adequar as diferenças por meio de um trabalho com base na inclusão, o educador é responsável pelo processo de aprendizagem dos alunos, baseado em abordagens didáticas que estimulem a participação na construção do conhecimento, dando flexibilidade nas atividades propostas e promovendo a reflexão delas.
Além de orientar as atividades atribuídas aos alunos, o educador deve ter uma postura essencial, a de avaliar de forma contínua, abordando conteúdos de forma diversificada, acessível a todos, promovendo momentos de verdadeira interação e contribuindo para que os alunos aprendam a conviver com os outros, valorizando mais o bem da coletividade.
 
A partir de estudos desenvolvidos por educadores, linguistas e teóricos foi comprovado que a motivação tem como definição o ato ou o efeito de provocar modificações fisiológicas, intelectuais ou afetivas no indivíduo.
 
Todo ser humano tem um estado de carência e, para isso, precisa ser motivado para estabelecer um equilíbrio psicológico na busca da satisfação. As pessoas, portanto, diferem-se não apenas pela inteligência, pela capacidade, mas pela determinação de fazer algo, tendo a motivação como base fundamental para todo e qualquer tipo de mudança.
 
Tomando como parâmetro os princípios explicitados, a motivação do indivíduo depende da intensidade de seus motivos, que pode ser de acordo com seus desejos, afeição e impulsos.
 
Para isso, é necessário buscar alternativas quando se tenta motivar alguém, partindo da idéia de que cada indivíduo tem necessidades diferentes a serem atendidas e supridas. Mas vale ressaltar que o ser humano é naturalmente motivado a fazer algo, atitudes boas ou ruins, de acordo com as situações que são interligadas em relação ao momento no qual sua vida está inserida.
Na motivação extrínseca, podemos destacar: a importância do estímulo, da motivação, da integração do professor, com a valorização do potencial dos alunos; o processo avaliativo sob forma adaptada; e o estímulo familiar, fazendo refletir ou ressurgir na motivação intrínseca.
 
Vários aspectos podem influenciar a motivação, tais como: estabelecer metas individuais para o aluno no intuito de que ele se esforce para adquirir seu sucesso; ser uma pessoa positiva estimulando uma aprendizagem agradável, evitando atos negativos, comparativos que prejudiquem a autoestima; despertar o interesse e a curiosidade no contexto aplicado com fatos do seu cotidiano.
 
Ainda, mostrar ao aluno por meio de atividades como está a sua evolução, demonstrando interesse pelo seu progresso e valorizando seus atos no esforço de aprender; mostrar como o conteúdo explicado pode ser aplicado na sua vida real; apresentar exemplos que estimulem a reflexão; dar pistas de como superar as dificuldades sem revelar de imediato a solução e combinar regras para o desenvolvimento do trabalho. Tudo isso reflete na participação ativa do indivíduo na sociedade em que atua para que aprenda a analisar decidir, planejar, expor suas idéias e saber ouvir a dos outros.
 
A escola por ser uma instituição libertadora tem a função de oferecer ao aluno um ambiente acolhedor e propiciador na formação digna do cidadão. Para tanto, a qualidade do ensino requer que aceitemos as diversidades das pessoas e tenhamos respeito pelas características humanas, pessoais, culturais de cada um, assim auxiliando na construção de uma sociedade justa.
 
Para isso, a escola necessita de estruturas tanto arquitetônicas quanto atitudinais, mas infelizmente nossa realidade precisa de mudanças e conscientização, para uma educação que busca a equidade, a acessibilidade, a qualidade de ensino com profissionais capacitados e estimulados, ou seja, uma escola para todos.
 
A política de inclusão reflete na responsabilidade da escola adaptar-se ao aluno com deficiência, revendo seu currículo, estratégias de ensino e paradigmas, respeitando limites e diversidade. A inclusão na busca da equidade exige da escola um ambiente salutar, uma equipe especializada e multidisciplinar, no intuito de acolher esse cidadão, assegurando uma educação de qualidade.
 
Desse modo, vale ressaltar que a escola inclusiva tem de acolher os alunos independentes de condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais ou lingüísticas, desenvolvendo uma pedagogia centrada no aluno e que seja capaz de educar todos que nela estão inseridos, por meio de profissionais capacitados.
 
Diante dessa vertente é necessário que haja uma rede de apoio como família, professores, psicólogos, pedagogos, supervisores, entre outros, para que juntos exista a troca de idéias, informações, técnicas, com a finalidade de ajudar não só o aluno como também as pessoas que terão um contato diário, o professor.
 
A família, peça essencial na vida do aluno, além de ser uma estrutura fundamental no desenvolvimento cognitivo é considerada uma parceira na inclusão do atendimento prestado na escola, para que o processo de aprendizado faça-se de forma completa e envolvente. Como porto seguro, a família precisa acreditar no potencial da pessoa com deficiência, dando-lhe a possibilidade de crescer emocionalmente, socialmente dentro da comunidade onde vive, favorecendo-lhe oportunidade de aprendizagem para que ele cresça como pessoa e sinta-se confiante.
 
O fato é que à medida que o tempo passa, a escola apresenta-se como uma das mais importantes instituições sociais que incentiva a motivação e que faz uma ligação entre indivíduo e sociedade. Ao transmitir a cultura, modelos sociais de comportamento, valores morais, a escola permite que o aluno humanize-se, socialize-se e eduque-se.
 
A aprendizagem depende em grande parte da motivação. Observando as necessidades e os interesses dos alunos, despertando sua confiança, autonomia, curiosidade, iniciativa própria e estimulando-os a exprimir seus pensamentos, o professor estará ajudando seus alunos na construção de novos saberes.
 
Para isso, é necessário que o professor crie situações adequadas para os aprendizes desenvolverem-se de forma criativa e natural dando-lhes as condições favoráveis para que possam ampliar seus conhecimentos, identificando a necessidade e os interesses da turma para poder promover a didática adequada a determinado contexto.
 
Deve ser observado o espaço de tempo que irá ocupar em suas atividades; definir o espaço físico em que a ludicidade irá se desenvolver; selecionar materiais adequados de acordo com a faixa etária, em relação à quantidade, à diversidade, lembrando da importância do respeito e da valorização em relação à criatividade do aluno ao produzir o jogo, a vibração por um objetivo alcançado.
 
O educador tem a capacidade de criar situações que facilitem a construção de valores, ou seja, uma identidade moral, uma vez que seus alunos possam se adequar à sociedade em que vivem e a outras culturas, visando o combate aos preconceitos, propiciando o melhor convívio em sala de aula e fora da escola respeitando as adversidades.
 
Os alunos podem ser considerados “uma caixinha de surpresas”, diariamente o professor é surpreendido por novas situações e atitudes que irão exigir habilidade e bom senso na solução das questões impostas.
 
Ao demonstrar o quanto eles são especiais, o professor construirá um ambiente de confiança, com cooperação e autonomia nas formas de agir, mas deve estar atento para o controle do conteúdo na sala de aula – observando o tipo de linguagem que os alunos utilizam tanto antes quanto durante a atividade – e no resultado da aplicação do jogo lúdico, fazendo que o educador aproveite e faça reforços em relação a conteúdos anteriores, envolvendo mais o aluno com o assunto programado.
 
Construir habilidades e competências é estar inserido em um processo contínuo de relações intra e interpessoais, em que o professor deve ter a capacidade para avaliar e autoavaliar-se criticamente, enfim, desenvolver a formação do professor mediador e do professor aprendiz.
 
Além de orientar as atividades atribuídas aos alunos, o educador tem uma característica essencial, a de avaliador do desempenho discente, não sobre forma de pressão com atividades escritas, mas como estimulador da prática da língua portuguesa, fazendo que sintam prazer ao desenvolver suas atividades promovendo, consequentemente, momentos de verdadeira interação.
 
Após a aplicação dos jogos, o professor passa a observar as atividades cognitivas (raciocínio, argumentação); o comportamento social (cooperação, conflito, interação); grau de interesse, motivação, satisfação, tensão aparente durante o jogo (emoções, afetividade); valores, idéias que possam contribuir no envolvimento do jogo; o grau de iniciativa, criatividade, autonomia e a criticidade que o jogo propicia ao aluno para que possa usufruir dessas experiências ao longo de sua vida.
 
O jogo é uma atividade inerente ao ser humano que infelizmente, na maioria das vezes, é esquecido ou não praticado no processo de aprendizagem. É por meio dos jogos desenvolvidos com criatividade que o professor poderá alcançar os objetivos do ensino ao educando com necessidades educacionais especiais com mais eficácia, utilizando-se também dos conhecimentos prévios do aluno em uma visão colaborativa na construção do conhecimento.
 
Durante a realização desta pesquisa bibliográfica, foi-nos possível reconhecer a importância da natureza sociointeracional dos jogos didáticos contextualizados como um meio educacional que reflete na reação do comportamento do aluno, bem como a importância do tratamento pedagógico que deve ser dada aos jogos. Podemos observar a superação das chamadas “aulas tradicionais” por atividades que motivem os alunos para um aprendizado contínuo, interativo, cooperativo.
 
O papel do professor é fundamental na aplicação dos jogos, estimulando a interação professor–aluno, aluno–professor, aluno–aluno, cuja relação faz que o educando motive-se para que o aprendizado ocorra de forma criativa, social e partilhada, além do estímulo que a atividade lúdica transmite.
 
Nessa perspectiva, esse trabalho tenta despertar no educador uma maneira de estimular o aluno com deficiência intelectual no processo de aprendizagem, envolvendo-o no conteúdo proposto de maneira motivadora e tendo o jogo como aliado neste processo educativo, não só como uma atividade divertida, mas como um instrumento capaz de construir adultos coerentes que saibam questionar, agir, participar, criticar e de viver em sociedade.

 


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