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Contabilidade e Meio Ambiente

Viviane Pereira de Sousa e Silva em 27/09/2010

 

A Contabilidade é a atividade que proporciona informação quantitativa geralmente de caráter financeiro, que é utilizada para tomar decisões, não somente no processo mediante o qual se mede a produtividade ou a capacidade de uma empresa ou estado, mas fundamentalmente para revelar em uma data determinada a situação ou a capacidade de uma empresa ou estado. Tradicionalmente, o contador processa as transações econômicas e as sistematiza em Estados Financeiros. Agora, o desafio para o contador do novo milênio está na mudança de paradigma, para um modelo contábil ambiental, uma contabilidade integrada e competitiva que compreenda movimentos econômicos, movimentos operativos e movimentos ambientais.
 
O contador a nível mundial precisa de uma formação que se estenda além dos limites das técnicas e dos procedimentos. É necessário acrescentar ao constante desenvolvimento profissional, o registro contábil dos investimentos feitos no meio ambiente.
 
Em todos os países desenvolvidos e subdesenvolvidos contabilizamos a dívida externa que cresce cada dia pelos altíssimos juros que nos cobram pelos empréstimos. São valores monetários registrados em nossas contas patrimoniais como custos e gastos. Sem registrar nosso patrimônio natural em nenhuma conta, pela equivocada contabilidade atual que não inclui contas nem valor algum a todos nossos recursos ecossistêmicos. O que dificulta a evolução da Contabilidade Ambiental é a resistência dos empresários em reconhecer sua responsabilidade perante a sociedade, dado que isto viria onerá-lo.
 
Martins & De Luca colocam que “sobre o produto, sua utilidade, como interfere ou interage junto ao meio ambiente e o destino dado ao seu resíduo final pelos consumidores podem ser apresentadas no Relatório da Administração ou no Balanço Social”.
Exige-se atualmente do administrador moderno uma nova visão de trabalho, chamada administração ambiental. Dentro desta nova visão, as empresas devem buscar minimizar o impacto dos resíduos da produção no ambiente, reciclar e reutilizar recursos naturais, como por exemplo, a água, um bem escasso e de grande utilização nas indústrias, seja qual for sua produção.
 
A contabilidade por se própria utilizaria seus métodos colocando no ativo o imobilizado referente aos equipamentos adquiridos, visando á eliminação ou redução dos agentes poluidores, os gastos com pesquisas e desenvolvimento de tecnologias, os estoques relacionados com o processo de eliminação dos níveis de poluição, áreas verdes, etc., e no passivo, toda a agressão que se pratica ou praticou contra o meio ambiente; o valor dos investimentos para reabilita-los, as multas, indenizações, gastos com projeto e licenças ambientais, restrições a empréstimos, entre outros, seguindo as normas do IBRACON; bem como a investigação dos recursos utilizados através da Auditoria Contábil.
 
Contabilizar os danos causados as áreas naturais ou aplicação dos mesmos em processos produtivos não é uma tarefa fácil, por se tratar de bens não mensuráveis, mas é possível, através das ferramentas que temos a nosso favor, como a Contabilidade Gerencial, de Custos e Auditoria. O profissional contábil tem a obrigação de medir o que se tem e o que se destrói.
 
Em toda decisão que seja adotada, em cada ação que se realize, quando se administre um recurso natural “água” que hoje constitui a principal fonte de recursos para o território nacional de hoje e amanhã, deve-se integrar a conta variável cujo registro constitua a base para vida em um ambiente são para a humanidade presente e futura de nossopaís. Isto significa pensar a longo prazo, diferir os gastos para o próximo século.
Torna-se necessário mudanças nos paradigmas tradicionais do modelo econômico, onde os parâmetros contábeis de produtividade, emprego, ingresso, consumo, capital, riqueza, custo econômico, consumo, capital, riqueza, custo benefício, lucro, recurso, sejam conjugados com variáveis de funcionamento racional, de equilíbrio, da sustentabilidade, de durabilidade, de preservação, de respeito, de propriedade dos recursos, criando uma nova política econômica contábil ambiental que considere nos indicadores sociais, ambientais, humanos de longo alcance, onde se possa chegar enfim a preservação dos recursos naturais.

 


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