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O Doce Sabor da Inclusão

Creusolita Cavalcante em 07/12/2010

 

O Brasil, como dizem os estudiosos, é um país de cidadania da exclusão. Exclusão do negro, do índio, do deficiente, do idoso... Porém, a mais cruel das exclusões continua sendo a pobreza, pois os valores monetários se sobrepõem aos morais. O negro, o deficiente, o velho e outros excluídos, quando ricos, são facilmente incluídos pela sociedade, pois o vil metal dá a sensação de poder absoluto e a ilusão de que tudo é comprável, inclusive os reflexos das diferenças.
 
Pensar em incluir é antes de tudo poupar o homem de decorrências de suas particularidades inatas ou adquiridas. O oferecimento de oportunidades educacionais inclusivas é concretizar um direito de cidadania. Cidadania complexa e sempre incompleta. Incluir é aproximar o excluído de realidades inimagináveis, embora possíveis. Incluir é romper barreiras, superar preconceitos, conciliar possibilidades, enfim, tornar real desejos pensados - mas não vividos.
 
Com mais de 70 anos, com múltiplas experiências e também situações adversas, como na história infantil - ainda restam esperanças. Sem pestanejar decidi participar de um curso oferecido pelo SENAI-PB/ CEPSL, no qual percorri mares nunca dantes navegados. Mares que me surpreenderam, mas que não me amedrontaram.Era o curso de Qualificação em Confeitaria que doçura. As competências e habilidades que não me eram familiares, essas também não me assustaram. O novo para mim sempre foi e será um desafio. Desafio que procuro vencer e assim foi. Venci.
 
Chegou o momento de minha senilidade ser colocada em cheque - O 1º dia de aula. Estava ali um grupo de jovens - rostos vibrantes, olhos atentos, mentes joviais - inclusive o competente e compromissado professar. Contudo, não me senti um ET e sim um deles. Senti as emoções de um recomeço. Não fui, em nenhum momento, alvo de um tratamento especial, que me despertasse da juventude retomada naquele momento, graças a Deus – Isso me proporcionou um convívio fraterno e solidário. Participei de todas as tarefas, recebi advertências necessárias como os demais integrantes do grupo. Senti-me incluída. Esqueci colesterol e glicose.
 
Desfrutei de todas as guloseimas produzidas pelo grupo. Exercitei a memória com os informes e a aprendizagem das receitas, acariciei a boca com as delícias doces, saciei o estomago com as guloseimas salgadas, redescobri o brilho dos olhos através da exposição final de nossos Bolos Confeitados - obras de arte indescritíveis. Aprendi, passei bem. Estava feliz.
 
Durante o curso, revivi esperanças, pois o aprendizado representou uma construção nova. Construção inimaginável para os que se acomodam e creem que “papagaio velho não aprende a falar”. E como aprende! Eu que o diga. Claro, ainda não me considero uma confeiteira, mas chegarei lá, pois posso executar diferentes processos utilizados na confeitaria de modo apresentável, com sabores diferenciados, e na certa, saborosos. E tenho ainda tempo para me aprimorar.
 
Com essa experiência, tenho divulgado e incentivado outras pessoas a aproveitarem as oportunidades que nos são oferecidas; pois só assim contribuiremos com nossa inclusão. Agradeço ao SENAI-PB, ao Diretor do CEPSL, aos Coordenadores do CEPSL, ao professor Ricardo e aos colegas pela convivência inclusiva tão necessária num mundo separatista entre novos e velhos. A senilidade é apenas um detalhe. O que se perpetua é a Exclusão.
           
Obrigada a todos com esperança de próximo reencontro.
 

 


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