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Sistema S e inclusão

Dom Aldo Pagotto em 04/03/2011

 

O Sistema S articula as principais instituições representativas dos setores produtivos que geram ocupação e renda: indústria, comércio, agricultura, cooperativas, transporte (etc). Sua função principal há 70 anos é capacitar e qualificar mão-de-obra, oferecer serviços de assistência social e bens culturais.

O Sistema S inclui o Serviço Social do Comércio (Sesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outros.

O Sistema S é coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), administrando um orçamento anual de R$ 8 bilhões, fundo esse constituído pelo desconto de 2,5% sobre a folha salarial das empresas. A maior parte da receita do Sistema S é repassada a entidades de direito privado, federações e confederações empresariais, que destinam 40% para Educação e 60% para Cultura e Assistência Social.

O Sistema S é um modelo para ser seguido pelos governos Federal, Estadual e Municipal. As reservas para manutenção e expansão vêm da iniciativa privada. Nada impede que o Sistema se articule em parcerias, porém não se confunde como obrigação de patrocinar políticas públicas. Essas são de responsabilidade do poder executivo de cada instância.

A distribuição de bolsas poderia evoluir para investimentos na capacitação de adolescentes e jovens, como demonstrou recentemente o Globo Repórter de 11/2 pp. Oportunidades de empregos nos mais variados setores, além de proporcionar qualidade de vida às famílias, expandem o progresso regional e local. Esse modelo é referencial para a nova Paraíba que está sendo reconstruída em base ao planejamento racional sustentável.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, equivocou-se na tentativa de jogar nas costas do Sistema S a ampliação do ensino médio integral e profissionalizante controlado e absorvido, porém, pelo governo, tirando-o da iniciativa privada. A intenção de ofertar vagas para cursos técnicos e profissionalizantes é correta, desde que seladas parcerias, não encampando ou confiscando a iniciativa privada.

Quem dá o que tem, a pedir vem. Não se deve dar sem provocar o retorno, por uma contraproposta que implica no retorno daquele que é favorecido. O equívoco ideológico de certa ala influente no Governo é a obsessão de tirar das mãos de quem produz para “dar nas mãos” de quem se acomoda na dependência, deixa de garimpar e ir à luta pela vida.

O correto no processo do ensino, aprendizado e habilidades, é dar condições, valorizar, qualificar. Apresente-se sempre uma contraproposta de solidariedade humana e cristã. Aprendamos e ensinemos as pessoas a não depender eternamente de alguém, pois todos os recursos que a vida nos oferece possuem valor e tempo limitado. Não somos donos eternos de tudo o que passa pelas nossas mãos. São dons. Devem ser bem administrados! 

 


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