Diego Araújo - Campina Grande/PB em 18/03/2008
Apenas uma porta na frente, potência para atingir 80 quilômetros por hora e autonomia de 25 quilômetros com um litro de gasolina. A combinação fez do Romi-Isetta o carro queridinho do Brasil entre 1956 e 1961. Primeiro automóvel produzido no país, o Romi-Isetta estará na exposição 200 anos de Indústria no Brasil que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoverá de 26 de março a 25 de maio, em Brasília, no Museu do Automóvel, que foi especialmente adaptado para o evento.
A mostra integra as comemorações dos 70 anos da CNI e contará a trajetória da indústria nacional desde a chegada da Família Real, em 1808, quando foi assinado decreto permitindo a instalação de manufaturas no Brasil, até os dias atuais. Entre as 252 peças vindas do país e do exterior, estarão quatro carros antigos que representam a história de Brasília e a evolução da indústria automobilística.
"Tem muita gente interessada nos carros como algo que influenciou a história. As pessoas vão se surpreender em saber que o automóvel não foi apenas objeto de mobilidade, mas uma alavanca de desenvolvimento industrial", afirma o administrador Museu do Automóvel, José Roberto Nasser.
A tecnologia usada nos carros serviu de base para a criação de liquidificadores e banheiras. "Esses carros têm uma peça que gera energia chamada alternador. Se você pega essa peça, coloca uma hélice numa caixa com botão e tomada, você tem um liquidificador", diz Nasser. Responsável pela criação do Museu, em 2004, ele afirma que alguns equipamentos, peças e carros foram cedidos à exposição 200 Anos da Indústria. "Tem moldes para motores, bomba de gasolina, latas de combustível e polidores da década de 20 e o motor de um Gurgel, que é uma criação totalmente brasileira. Estarão expostos ainda a Monareta, uma bicicleta motorizada, além dos carros."
Entre eles um JK-FNM, da Fábrica Nacional de Motores, baseado no Alfa Romeo, de origem italiana. O carro, lançado em 1960, levou a sigla famosa o nome do então presidente Juscelino Kubitschek. A procura pelos primeiros modelos foi grande na época, mas a produção era pequena. O carro tornou-se raro. Com motor de quatro cilindros, duplo comando na cabeçote, câmbio de cinco marchas e suspensão estável, o JK era superior aos concorrentes e ganhou status de super carro.
Outro carro é o Jipe Candango, que presta uma homenagem aos trabalhadores que ergueram Brasília. O Ford modelo T, conhecido no Brasil como Ford Bigode, popularizado pela indústria norte-americana e que revolucionou a indústria automobilística, também integrará a exposição. Sua fabricação durou 19 anos, de 1908 a 1927. "Ele chegou ao país em 1920 e é a mais antiga intervenção da mão brasileira em automóvel. Recebeu uma carroceria especial feita aqui", afirma Nasser.
A mostra ocupará uma área de 1.250 metros quadrados do Museu do Automóvel. Dividida em dez módulos, ela contextualiza o processo de industrialização brasileiro. A linha do tempo foi definida por uma equipe de 12 consultores, além de pesquisadores da Marinha e da Aeronáutica, que trabalham nas áreas de história do Século 19, recuperação de documentos, cinema e fotografia.
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