Valter Barbosa - Campina Grande/PB em 04/03/2010
Empresários, representantes de instituições de ensino e intelectuais participaram na noite de ontem, 03/03, no Restaurante Panorâmico da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba - FIEP, do lançamento do livro “Jorge Amado – Uma Cortina que se abre”, do escritor Rui Nascimento.
O livro, editado pelo SENAI, é um relato inédito de uma fase do escritor que, aos 25 anos, já consagrado, foi confinado no interior de Sergipe pela política do Governo Vargas. Como muitos intelectuais e artistas surgidos na década de 30, Jorge Amado foi um produto típico daquela época de efervescência política. Fez parte do movimento literário pós-modernista, conhecido como o Romance de 30, no qual foi uma de suas maiores expressões. Engajado na luta partidária socialista foi levado várias vezes à prisão.
O autor de “Jorge Amado - Uma cortina que se abre” é o escritor sergipano, Rui Nascimento, amigo da família Amado, assim como toda sua família. Seu pai foi dono de uma famosa livraria em Estância, na época em que se passa a história, e virou personagem de duas conhecidas obras: Gabriela e Tereza Batista. “Escrevi e publiquei no final de 2007 uma biografia autorizada de Jorge Amado, sobre umas passagens desconhecidas do seu grande público, vividas numa cidade do interior de Sergipe. Vivo às voltas com meus livros, curtindo amigos e música e com os dedos coçando para cometer novos escritos”, revela Nascimento.
Prefaciado por Paloma Amado, a obra de 350 páginas descreve seu “exílio político” em Estância, Sergipe, terra de seu pai, Jorge Amado. Nessa época, impedido de lutar por seus ideais, se distraía promovendo inúmeros eventos culturais. Criou uma biblioteca, escreveu parte de Capitães de Areia e concluiu Mar Morto. Na bagagem de volta trouxe inesquecíveis personagens que povoaram alguns de seus livros, como Gabriela, Tereza Batista e Tieta do Agreste. Detalhes do cotidiano e da intimidade nesse capítulo da vida doescritor brasileiro só agora poderão ser conferidas na obra “Jorge Amado, uma cortina que se abre”. Segundo Rui, Paloma foi testemunha da grande amizade que uniu João Nascimento, pai de Rui, a Jorge Amado e que remanesce hoje, intocável, entre seus descendentes. Por conta dessa ligação afetiva, uma parte do livro foi reservada para manifestações literárias da época, artigos de Jorge Amado, noticiário da imprensa local sobre suas atividades, correspondência trocadas entre o escritor e o autor do livro.
Fotografias de pessoas e lugares visitados pelo romancista completam o relato, que tem a pretensão de ampliar um ciclo informativo sobre a vida de Jorge Amado na turbulenta década de 1930. “Fiz questão de colocar no livro passagens documentadas, como no caso de relatos e cartas. Não se trata de uma ficção”, explica Rui Nascimento.
Fotos: Valter Barbosa
Informações: Pesquisa online
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