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CNI defende novas regras contra bitributação

Diego Araújo - Campina Grande/PB em 23/06/2010

 

A necessidade de maior diálogo com o governo brasileiro e sugestões concretas que facilitem acordos para evitar a dupla tributação serão propostas a serem levadas à reunião de cúpula dos governos do Brasil e da União Européia, no dia 14 de julho próximo, em Brasília. A decisão foi tomada na primeira reunião do Conselho Brasil-União Européia sobre Tributação.
 
O Conselho, que se reuniu no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em São Paulo, criou dois grupos de trabalho para elaborar o documento a ser entregue no encontro governamental de 14 de julho. O primeiro detalhará os entraves brasileiros para impedir a dupla tributação, o outro estabelecerá políticas e estratégias que ampliem os acordos contra a bitributação. O Conselho é coordenado pela CNI, do lado brasileiro, e da parte européia pelo Business Europe, sua congênere, que representa 40 federações industriais e 20 mil empresas de 34 países.
 
A dupla cobrança de impostos sobre investimentos – ou seja, a taxação da mesma operação internacional no país que recebe o investimento e no país de origem da empresa - encarece os investimentos estrangeiros no Brasil e ao mesmo tempo inibe a internacionalização das empresas brasileiras.
 
Documento da CNI distribuído na reunião do Conselho Brasil-União Européia sobre Tributação informa que o Brasil tem hoje 29 acordos para evitar a dupla tributação, contra uma centena dos Estados Unidos, Reino Unido e Holanda, cada um. A prevalência da interpretação da Receita Federal sobre as normas dos próprios acordos tornam tais acertos, porém, pouco eficazes na prática, na visão da CNI. O Brasil, além disso, não tem acordos contra a bitributação com as nações que mais investem no país, como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Suíça.
 
“A complexidade e a ineficiência do sistema tributário brasileiro se transferem aos acordos contra a bitributação”, afirmou na reunião o diretor-executivo da CNI, José Augusto Fernandes. “O Brasil é o parceiro mais importante da União Européia na América Latina, mas para que esta parceria resulte em ampliação de investimentos que já são crescentes é preciso ter regras tributárias mais simples”, defendeu o diretor de Política Tributária do Business Europe, o sueco Krister Andersson.
 
O vice-presidente do Departamento de Tributos da BASF, a maior empresa química mundial, Oliver Nussbaum, disse que a complexidade e a burocracia do sistema tributário brasileiro tornam os produtos fabricados no país os menos competitivos do grupo em todo o mundo. O excesso de impostos e penalidades tributárias, segundo ele, impedem a BASF de sediar no Brasil um centro de serviços para suas operações na América Latina.
 
O diretor de Tributação da Scania Latin America, sediada em São Bernardo do Campo, Joakim Fällman, revelou que embora o Brasil seja o maior mercado mundial da empresa e que 40% dos caminhões pesados que rodam no país tenham a marca Scania, a subsidiária brasileira é a única do grupo sueco a ter um departamento inteiro dedicado somente a questões tributárias.
 

 


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