Gabriel Alves - Campina Grande/PB em 11/08/2010
Construir oportunidades para meninos e meninas que ainda não encontraram uma alternativa de se viver com dignidade. É esta a perspectiva do Projeto Vira Vida, implantado recentemente na Paraíba. A idéia é uma iniciativa do Conselho Nacional do SESI, que visa reintegrar adolescentes vítimas de exploração sexual à sociedade, através de ações de educação básica, aprendizagem industrial e comercial, além de orientações para a formação de cooperativas e incubação de pequenos negócios. O projeto tem o apoio de instituições do Sistema S como SESI, SENAI, SENAC e SEBRAE.
Na Paraíba, o Vira Vida pretende profissionalizar 200 jovens e adolescentes por ano, inserindo todos eles no mercado de trabalho. “Além da oportunidade de fazer cursos, com duração, de 8 a 10 meses, os jovens contam com apoio psicossocial, atendimento a família, auxílio médico odontológico, e durante o período do curso, o programa disponibiliza uma ajuda de custo, de aproximadamente 1 salário mínimo, para que eles mantenham freqüência nas aulas. Ainda ao final do curso, nós garantimos aos jovens a inserção deles no mercado de trabalho” ressalta o Presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli.Em Campina Grande, o projeto já está funcionando a todo vapor. O Centro de Atividades do SESI João Rique Ferreira, localizado no Distrito Industrial da cidade, deu início em agosto deste ano a primeira Semana de Socialização do Vira Vida. Na oportunidade, uma turma de alunos formada por 43 jovens, entre 16 e 21 anos, teve a chance de participar de um processo de integração social. Os jovens assistiram a palestras motivacionais, e tiveram o primeiro contato com os cursos de Gestão e Negócios e de Vestuário.Como forma de garantir que os alunos participem do projeto com responsabilidade, o Vira Vida atua baseado no Contrato de Convivência, construído com base nas conquistas que esses jovens terão no decorrer dos cursos. O contrato é uma espécie de acordo firmado entre o SESI e os alunos, onde o participante assina um documento se comprometendo a cumprir as regras do projeto, a partir de seus direitos e deveres. Os cursos abrangem as mais diversas áreas e têm carga horária média de 950 horas/aula, conforme a modalidade.A iniciativa do Conselho Nacional do SESI, nas capitais do Norte e Nordeste tem apresentado bons resultados. Implantado em julho de 2008, o Vira Vida reúne alguns indicadores positivos: dos 300 alunos integrantes do Projeto em Fortaleza, Recife e Natal, cerca de 70% estão inseridos no mercado de trabalho, com empregos formais, na condição de menor aprendiz, empreendedores ou como integrantes de cooperativa de trabalho. Os dados apontam ainda que durante a realização do processo educativo, houve o restabelecimento dos vínculos familiares e comunitários, mudança comportamental e forte desenvolvimento das potencialidades dos participantes.
Em 2002, a Pestraf (Pesquisa sobre tráfico de mulheres, crianças e adolescentes para fins de Exploração Sexual Comercial), mapeou 937 municípios brasileiros afetados pelas redes de exploração sexual, mostrando que esse fenômeno tem características peculiares conforme a região. O problema incide principalmente em áreas de garimpo, fronteiras, pontos turísticos e estradas. É exatamente para combater o aumento desse risco social dos jovens explorados, que o Vira Vida chegou a Paraíba. Segundo Grinete Pinheiro, coordenadora do projeto no estado e gerente do CAT João Rique Ferreira, o Vira Vida acima de tudo quer resgatar os jovens que tiveram seus direitos negados e que vivem em situação de risco social, atuando na conquista da cidadania.
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