Compartilhar

CNI

Empresários industriais têm maior insatisfação com margem de lucro desde a pandemia, aponta CNI

Por Agência de Notícias da Indústria - Publicado 22 de outubro de 2026

Problemas como carga tributária, demanda insuficiente e juros altos pressionaram ainda mais as condições financeiras da indústria no terceiro trimestre


Foto: Divulgação / CNI 

A insatisfação dos empresários industriais com a lucratividade dos próprios negócios atingiu o maior patamar desde a pandemia, revela a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (22). Segundo o levantamento, o índice de satisfação com a margem de lucro caiu 1,3 ponto no terceiro trimestre do ano, para 42,2 pontos. Trata-se do menor valor para o indicador desde o segundo trimestre de 2020.

"Essa insatisfação reflete uma maior pressão de custos, em parte por conta da guerra no Oriente Médio. Adicionalmente, há redução da demanda e, naturalmente, do faturamento das empresas, fatores que apertam o lucro", explica o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

Confira a análise sobre a pesquisa na sonora de Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI:

Além do descontentamento em relação ao lucro, os industriais também ficaram mais insatisfeitos com a facilidade de acesso ao crédito e com a situação financeira das empresas. Os respectivos índices caíram 0,5 ponto, para 39,4 pontos, e 0,2 ponto, para 47,4 pontos.

Por outro lado, o índice que mede a evolução do preço médio dos insumos e matérias-primas utilizados pela indústria caiu 3,6 pontos, para 60,5 pontos, ficando abaixo da média histórica para o 3º trimestre. Ainda assim, o indicador continua acima da linha divisória de 50 pontos, o que revela alta dos preços, ainda que em ritmo menor. 

Cresce preocupação da indústria com a demanda interna

A elevada carga tributária seguiu na liderança do ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria. No 3º trimestre, 37,2% dos empresários assinalaram o peso dos impostos entre os maiores obstáculos ao setor, um aumento de 3,9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

Na passagem do 2º para o 3º trimestre, a d preocupação dos industriais com a demanda interna insuficiente ganhou importância na lista e saltou do 4º para o 2º lugar entre os principais problemas. O item foi mencionado por 29,6% dos empresários, alta de 3 pontos percentuais no período. Na 3ª colocação do ranking aparecem as taxas de juros elevadas, cuja assinalação saltou 0,6 ponto percentual, alcançando 24,3%.

Acúmulo de estoques indesejados é o maior desde outubro de 2023

Pelo 3º mês consecutivo, o índice que compara o estoque efetivo em relação ao planejado pelos empresários subiu. Em setembro, o indicador cresceu 0,4 ponto, chegando a 50,8 pontos, maior nível desde outubro de 2023.

"Isso é sinal de uma frustração de demanda, que acabou ficando aquém do esperado, aumentando os estoques indesejados. O problema é que, normalmente, para se ter um avanço da produção, o empresário vai precisar queimar esses estoques e, até lá, é custoso manter os estoques à espera da retomada da atividade industrial", pontua Azevedo.

Outros índices também reforçam o quadro de enfraquecimento da atividade industrial. O índice de evolução da produção, por exemplo, ficou em 46,7 pontos em setembro, abaixo da linha divisória de 50 pontos, sinalizando queda da atividade em relação a agosto. Já o indicador que acompanha o número de empregados fechou o mês com 48 pontos, o que significa percepção de queda dos postos de trabalho do setor.

Na contramão, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) teve alta de 1 ponto percentual, atingindo 70% e se igualando ao observado no mesmo período do ano passado.

Expectativas continuam moderadas e intenção de investimento sobe

Os índices de expectativas pouco mudaram na passagem de setembro para outubro. Com isso, todos seguem abaixo das respectivas médias históricas.

  • Índice de expectativa de demanda: +0,3 ponto, para 51,5 pontos;
  • Índice de expectativa de compras de insumos e matérias-primas: continuou em 50,4 pontos;
  • Índice de expectativa de evolução do número de empregados: -0,5 ponto, para 48,7 pontos;
  • Índice de expectativa de quantidade exportada: +0,3 ponto, para 49,2 pontos.

Os resultados apontam projeção de melhora da demanda por produtos industriais e aumento da compra de insumos e matérias-primas nos próximos 6 meses, ao passo que sinalizam queda do número de empregados e do volume exportado.

Depois de 4 quedas consecutivas e de cair ao pior patamar desde a pandemia, a intenção de investimento subiu 1,3 ponto, para 52,6 pontos em outubro. Ainda assim, o indicador acumula perda de 3,3 pontos em 2026.

Sobre a Sondagem Industrial

Para esta edição da Sondagem Industrial, a CNI consultou 1.348 empresas, das quais 562 pequenas, 474 médias e 312 grandes, entre 1º e 13 de outubro.

Outras Notícias