
Como identificar, entre os diversos fatores que influenciam a saúde mental, aqueles que efetivamente estão relacionados à organização do trabalho? A pergunta ganha importância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), na última terça-feira (26), que reforçou a gestão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Com a mudança, aspectos ligados à organização do trabalho passam a integrar de forma mais explícita o processo de gerenciamento dos Fatores de Risco Psicossociais Relacionados ao Trabalho (FRPRT), ao lado dos agentes físicos, químicos, biológicos e de acidentes, já contemplados pela legislação.
Para o superintendente de Saúde do Serviço Social da Indústria (SESI), Emmanuel Lacerda, a modernização reforça uma visão mais ampla da prevenção de riscos dentro das empresas.
“Com as atualizações, as empresas precisam demonstrar de forma mais clara como identificam, avaliam e acompanham os fatores de risco psicossociais relacionados ao ambiente e à organização do trabalho. O SESI está preparado para apoiar esse processo por meio de suporte técnico e serviços especializados, oferecendo orientação sobre o passo a passo necessário para atender exigências normativas”, afirma Lacerda.
A metodologia, disponível de forma gratuita, combina três perspectivas complementares de análise. “Ouvimos os trabalhadores por meio de instrumentos estruturados, analisamos à organização do trabalho e contamos com a avaliação técnica de especialistas em Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Essas informações permitem identificar os fatores psicossociais relacionados ao trabalho e apoiar decisões baseadas em evidências”, explica o superintendente do SESI.
A entrada em vigor da nova NR-01 mostra a necessidade de análises mais criteriosas sobre os fatores que impactam a saúde mental no ambiente corporativo. O SESI alerta que interpretações simplificadas ou isoladas dos dados podem distorcer a compreensão do cenário e comprometer a efetividade das medidas adotadas pelas empresas.
Por isso, a metodologia desenvolvida pela instituição propõe uma análise integrada, baseada em evidências científicas, na avaliação técnica de especialistas e na escuta dos trabalhadores, permitindo identificar com mais precisão os fatores psicossociais relacionados ao trabalho e apoiar decisões mais assertivas na gestão da saúde ocupacional.