
Ferramentas de inteligência são a nova tendência para a tomada de decisão em políticas industriais modernas e robustas, guiadas por evidências e dados sólidos. O embasamento técnico e estratégico dos profissionais, ligados ao planejamento e execução de políticas públicas, se torna a junção ideal para o desenvolvimento industrial de qualidade.
E na lista está: capital intelectual, inteligência artificial, análise de banco de dados, redes colaborativas multidisciplinares para a troca de conhecimento, ou seja, tudo isso têm impactado os avanços na formulação de políticas industriais e na cooperação entre instituições públicas e privadas.
O superintendente de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fabrício Silveira, contou que um dos trabalhos da CNI tem sido o de reunir casos de sucesso sobre a produção de conhecimento aplicado e inteligência estratégica, a partir de metodologias reconhecidas e estudos avançados, que possam impactar novos negócios a partir da transferência de tecnologias e otimização de recursos.
“A inteligência de dados é fundamental para podermos prever direções de tendências futuras, analisar cenários e buscar decisões mais assertivas, o que pode trazer melhorias para a competitividade da indústria nacional”, completou Silveira.
Dados integrados para o desenvolvimento econômico
Alexander Simões, diretor-executivo da empresa americana Datawheel, trabalha com diversificação inteligente para o ambiente competitivo global. Simões deu exemplos de plataformas de visualização de dados em diferentes países e como as customizações das ferramentas são imprescindíveis para a análise precisa dos cenários econômicos. Esse e outros cases foram apresentados no seminário “Indústria, Dados e Território: Ferramentas de Inteligência para o Desenvolvimento Regional e Industrial”, realizado pela CNI em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no dia 23 de janeiro.
A Datawheel é responsável por desenvolver ferramentas de visualização e análise de dados que influenciam políticas públicas em todo o globo como o DataUSA, DataMéxico, DataSaudi. No Brasil a empresa desenvolve visualizações no DataMPE, que é focada em pequenas e médias empresas, com a integração, visualização e distribuição de dados macroeconômicos.
Para Simões, a ciência de dados e a inteligência artificial são o caminho para impulsionar o progresso econômico mundial.
“Para nações e empresas que buscam o crescimento sustentável, o dado isolado é apenas ruído. O dado integrado, transformado em plataformas de visualização e análise, é que nos permite enxergar as cadeias de valor, identificar novos caminhos para a diversificação e construir uma arquitetura econômica robusta, capaz de resistir e prosperar em meio à complexidade”, destacou.
Descarbonização mensurada por inteligência estratégica
Outra plataforma apresentada durante o seminário foi a Plataforma Interativa de Descarbonização (PID). Desenvolvida em parceria pelo E+ e o Net Zero Industrial Policy Lab da Universidade Johns Hopkins, ela é uma ferramenta digital que integra dados estratégicos sobre infraestrutura, recursos energéticos, emissões e indústrias para apoiar o desenvolvimento de projetos industriais de baixo carbono.
A responsável técnica pela PID, Marina Almeida, explicou que a plataforma está na versão 3.0 e possui indicadores de transição energética por estado, o que possibilita análises regionais mais específicas.
“Ela é uma ferramenta intuitiva e orientada por dados que viabiliza estratégias entre o desenvolvimento industrial e o planejamento da infraestrutura e contribui para a identificação de locais mais promissores e oportunidades de investimento em tecnologias de baixo carbono”.
A atuação dos observatórios nacionais na previsão dos cenários econômicos
O Observatório da Indústria também foi destaque durante o seminário. Rafael Silva e Sousa, gerente de Estudos e Prospectiva Industrial da CNI apresentou o Observatório e as suas principais áreas de atuação. Ele é o maior hub da indústria nacional com mais de 209 bases mapeadas em um único lugar e pretende produzir conhecimento aplicado e inteligência estratégica a partir de uma grande rede colaborativa capaz de acessar e analisar dados, identificar e construir cenários de futuro.
Sousa destacou que o observatório foi imprescindível para entender o impacto do tarifaço dos Estados Unidos nas regiões do Brasil e quais seriam os produtos mais impactados com base no cruzamento dos dados do DataHub.
“A Rede de Observatórios é um ecossistema de altíssimo capital intelectual, prospectiva, multidisciplinar e colaborativa, que gera inteligência estratégica para a indústria brasileira, atuando de forma sinérgica e complementar”, completou.
Os especialistas da CNI Vitor Atila do Prado Mendes e Danilo Severian da Silva também apresentaram a atuação do observatório no monitoramento de dados do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que faz parte da Missão 2 da Nova Indústria Brasil.
Com o observatório, é possível entender o mapa do complexo, saber como está a balança comercial, a distribuição regional dos produtos de saúde, a origem de importações e destino das exportações, além de dados como emprego e massa salarial do setor. A ideia é auxiliar no projeto do governo para garantir a soberania do setor de saúde do Brasil.
André Maciel, especialista em Inteligência de Dados do Sebrae, trouxe dados do Observatório Setorial e Territorial, uma plataforma pública da instituição para ajudar empreendedores na tomada de decisões.
Por meio da visualização e distribuição de dados organizados geograficamente e de acordo com atividades econômicas, a ferramenta busca viabilizar orientações estratégicas para aumentar a competitividade dos Pequenos Negócios.
A plataforma conta com indicadores de empresas, emprego, faturamento, dinâmica regional e comportamento setorial, com dados organizados por setor, território e porte empresarial de todo o Brasil.
“É um serviço que produz e disponibiliza informações estratégicas e relevantes para a melhor resolução de problemas, promoção de inovações e identificação de novas oportunidades relacionadas ao ambiente de pequenos negócios brasileiros”, ressaltou Maciel.
Já Gustavo Britto, professor doutor da Universidade Federal de Minas Gerais também salientou a necessidade da associação da pesquisa científica ao desenho de políticas públicas. Ele trouxe como exemplo o Observatório do Desenvolvimento, que busca associar a produção de informações à formação de cenários com diversidade de narrativas e multiplicidade de objetivos.
A Apex Brasil também esteve presente no seminário e destacou como a inteligência artificial tem auxiliado as empresas no processo de exportação. O coordenador de Análise de Mercado da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Ulisses Pimenta, explicou sobre o mapa de oportunidades de exportações brasileiras para o mundo, como é possível, por exemplo, identificar regiões para se explorar mercados conforme o produto de interesse.
E deixou um recado: “Informação não é inteligência. A inteligência artificial não é uma ameaça, ela é um complemento para quem tem capacidade crítica e consegue elaborar para além do que ela entrega, ou seja, é inteligência condicionada ao poder da estratégia humana”, concluiu.
Juntos pela Indústria
O seminário foi uma iniciativa do Juntos pela Indústria, um projeto de convergência estratégica que, além da CNI e do Sebrae, conta com a participação do Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).
Na prática, o objetivo é oferecer uma agenda consolidada para otimizar o atendimento à indústria, a partir da integração de serviços, programas, ações e projetos de todas as instituições parceiras para aumentar a produtividade, a competitividade, a inovação e a transformação ecológica e digital.
