
Inovação, digitalização e sustentabilidade estão no centro da estratégia de crescimento da Bosch, no Brasil e no mundo. A multinacional alemã é uma das maiores fornecedoras globais da indústria automotiva, que também fabrica bens de consumo e fornece soluções em tecnologia industrial, energia e construção. Com investimentos consistentes em pesquisa, desenvolvimento e inovação, a empresa aposta na integração de tecnologias como inteligência artificial, conectividade e sensores para ampliar seu portfólio e responder a desafios cada vez mais complexos da indústria e da sociedade.
No país, esse movimento ganha contornos próprios. A atuação local combina alinhamento à estratégia global com forte adaptação às demandas do mercado brasileiro, permitindo o desenvolvimento de soluções relevantes em áreas como mobilidade, agronegócio e energia. Ao mesmo tempo, o Brasil se destaca como um polo de competências em transformação digital e transição ecológica, contribuindo com inovações que podem ser replicadas em outros mercados.
Neste contexto, a Bosch reforça seu protagonismo em agendas estratégicas, como a descarbonização e o uso de combustíveis sustentáveis. Patrocinadora do 11º Congresso de Inovação da Indústria, a empresa liderou debates sobre esse tema.
Em entrevista à Agência de Notícias da Indústria, o Vice-Presidente de Inovação e Novos negócios da Bosch América Latina da Bosch América Latina, Paulo Rocca, detalha como a empresa tem estruturado sua estratégia de inovação, os diferenciais competitivos do Brasil e as perspectivas para o avanço de tecnologias que conciliam crescimento econômico e sustentabilidade. Acompanhe:
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA - Qual o papel da inovação dentro da estratégia de crescimento da empresa?
PAULO ROCCA - A inovação é um dos principais pilares da estratégia de crescimento da Bosch, com papel central na expansão dos negócios, na diversificação de portfólio e no fortalecimento da competitividade. Presente no DNA da empresa desde sua fundação, a inovação orienta o desenvolvimento de soluções que respondem aos desafios atuais e futuros, com foco em melhorar a qualidade de vida e contribuir para a sustentabilidade.
Esse direcionamento se reflete em investimentos contínuos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, que representam entre 7% e 8% do investimento total. A empresa também promove um ambiente estruturado para inovação, com iniciativas como intraempreendedorismo, programas de reconhecimento e estruturas dedicadas.
Ao integrar competências em sensores, software, conectividade e inteligência artificial, a Bosch amplia seu portfólio e sua atuação em áreas como digitalização, mobilidade e manufatura, fortalecendo sua liderança tecnológica e impulsionando a expansão dos negócios.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA - Existem diferenças entre as áreas e ações de PD&I em outros países e no Brasil? Como elas se complementam?
PAULO ROCCA - As atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Bosch são globalmente integradas, mas com forte adaptação às realidades e demandas locais. No Brasil, as iniciativas de P&D são alinhadas às demandas dos mercados em que a empresa atua, o que permite o desenvolvimento de soluções altamente relevantes e aplicáveis regionalmente.
Ao mesmo tempo, essas iniciativas estão conectadas à estratégia global da empresa, garantindo sinergia, compartilhamento de conhecimento e escala. O Brasil contribui com desenvolvimentos próprios, como soluções voltadas ao uso de biocombustíveis, conectividade e digitalização, que podem ser replicadas ou adaptadas para outros mercados.
Essa complementaridade fortalece o ecossistema global de inovação da Bosch, combinando a capacidade de adaptação local com a robustez tecnológica e os investimentos globais. Além disso, a atuação em open innovation, com parcerias com universidades, institutos de pesquisa e startups, amplia ainda mais essa integração.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA - Quais diferenciais competitivos o Brasil oferece hoje pra Bosch dentro das duas grandes agendas, de transformação digital e transição ecológica?
PAULO ROCCA - O Brasil oferece uma combinação relevante de competências técnicas, diversidade de mercado e um ambiente favorável ao desenvolvimento de soluções ligadas à transformação digital e à transição ecológica.
Na agenda de transformação digital, o país se destaca pela atuação em software, conectividade e inteligência artificial, com equipes dedicadas e iniciativas como o DigiHub, que conecta a Bosch ao ecossistema de inovação. Soluções como plataformas digitais para gestão de frotas e aplicações de IA em serviços operacionais evidenciam esse potencial.
Já na transição ecológica, o Brasil possui vantagens importantes, especialmente no uso de biocombustíveis. A forte presença do etanol como alternativa energética permite à Bosch desenvolver soluções alinhadas à descarbonização, como tecnologias de monitoramento de emissões e sistemas dual fuel (diesel-etanol).
Além disso, a atuação em setores como agronegócio, mineração e mobilidade contribui para o desenvolvimento e a aplicação dessas soluções em diferentes contextos.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA - Quais cases e inovações desenvolvidas no Brasil a Bosch gostaria de destacar?
PAULO ROCCA - A Bosch destaca, no Brasil, o desenvolvimento de soluções voltadas principalmente à descarbonização e à eficiência energética, com forte protagonismo da engenharia local.
Um dos principais exemplos é a tecnologia diesel-etanol (Dual Fuel), desenvolvida 100% por pesquisadores brasileiros. A solução permite que veículos e equipamentos fora de estrada, como colhedoras, locomotivas e caminhões de grande porte, operem com uma combinação de diesel e etanol.
A iniciativa dá continuidade à trajetória da Bosch no país com combustíveis alternativos, iniciada há mais de 20 anos com a tecnologia Flex Fuel. Agora, o foco está em ampliar esse conceito para aplicações de maior porte, contribuindo para a redução de emissões em setores intensivos.
A expectativa é que a tecnologia permita substituir até 50% do diesel por etanol, reduzindo significativamente as emissões de CO₂. Atualmente em fase de testes em bancada, a solução deve avançar para testes em campo em 2026, com previsão de início de produção a partir de 2027.
Além do impacto ambiental, a inovação também tem potencial de contribuir para a matriz energética brasileira, ao reduzir o consumo de diesel e estimular a cadeia do etanol no país.
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA - A empresa vai participar do painel de combustíveis sustentáveis no Congresso de Inovação. O que podemos esperar da empresa nessa temática para os próximos anos?
PAULO ROCCA - A Bosch acredita que a transição para a mobilidade sustentável deve ocorrer por meio de múltiplas soluções tecnológicas e vê o Brasil como um parceiro estratégico nesse movimento rumo a uma mobilidade mais verde.
Esse processo tem se consolidado a partir de uma abordagem diversificada, capaz de reduzir as pressões de mudanças abruptas e favorecer uma adaptação gradual dos mercados e da infraestrutura. Nesse contexto, a ampliação do uso de combustíveis sustentáveis com baixa pegada de carbono é um dos pilares da estratégia da Bosch na América Latina.
Pioneira no Brasil e no mundo no desenvolvimento de produtos automotivos resistentes ao etanol e na criação da tecnologia Flex Fuel, a Bosch segue investindo fortemente em soluções que contribuam para a descarbonização do transporte. Para os próximos anos, a empresa continuará impulsionando a evolução dos sistemas híbridos flex fuel em diferentes configurações, além de expandir o uso de etanol e biometano em aplicações pesadas e fora de estrada. A Bosch também aposta em soluções como o diesel-etanol, que permite a substituição parcial do diesel por etanol em setores de difícil abatimento de CO₂, como mineração, transporte marítimo e ferroviário.