
O Programa Executivo de Conexão em Saúde Digital, realizado de 13 a 17 de abril, em Barcelona, reúne debates e iniciativas sobre inovação, dados e gestão em saúde com possíveis conexões e desafios do Brasil. A iniciativa é liderada pelo Movimento Empresarial pela Saúde (MES), do Serviço Social da Indústria (SESI) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Participam da imersão executivos de empresas como Volkswagen, Vale, JBS, WEG, Transpetro e Abbott, além de representantes de organizações como Abertta Saúde, Fundação Zerrenner, Eurofarma, Aché Laboratórios, Roche Farma Brasil, e Prio. Também integram a agenda representantes do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e do Conselho Nacional de Saúde (CNS).
Ao longo dos primeiros dias, a delegação acompanhou debates sobre o compartilhamento de dados em saúde, governança, sustentabilidade, telemedicina, inteligência artificial e ecossistemas de inovação, em atividades realizadas na Esade e em instituições públicas e privadas ligadas ao desenvolvimento de soluções para o setor. A transformação digital em saúde dominou o debate com integrantes da gestão pública da saúde na Catalunha.
Saúde integrada como modelo para o Brasil
Para o gerente executivo da Volkswagen, Rodrigo Filus, a experiência em Barcelona traz referências relevantes para o Brasil no debate sobre interoperabilidade de dados, governança e articulação entre diferentes setores da saúde.
“O modelo catalão, com sua história clínica compartilhada, demonstra o poder de um sistema integrado, onde o paciente está no centro e suas informações são acessíveis de forma segura e eficiente em toda a rede. Isso é um farol para o Brasil", disse.
Segundo ele, o desafio do Brasil é avançar na integração entre os sistemas público e privado e reduzir a fragmentação das informações.
"Saímos daqui com uma missão de buscar soluções adaptadas à nossa realidade, fortalecendo políticas públicas e a colaboração entre SUS e a saúde suplementar, sempre com ética e foco no paciente", afirmou.
Ao apresentar a experiência da região, o médico, especialista em gestão sanitária e transformação digital e diretor da Fundação TIC Salut Social, Joan Guanyabens Calvet, afirmou que a digitalização precisa estar a serviço da assistência e da gestão.
“Os dados e a tecnologia usada para organizar e analisar informações são fundamentais para a saúde e para o funcionamento do sistema de saúde. Hoje, não é possível conceber esse sistema sem uma infraestrutura tecnológica de suporte.”
As falas ajudam a compreender uma das ideias mais presentes na imersão até aqui: a tecnologia só ganha sentido quando melhora a organização do sistema e amplia sua capacidade de resposta. Nas discussões sobre digitalização com impacto social e territorial e sobre integração entre redes públicas e privadas, voltaram à tona temas como proteção de dados, redução de silos, escalabilidade e continuidade das iniciativas.
Experiências internacionais
As visitas técnicas mostraram como grandes organizações têm incorporado recursos digitais às suas estratégias.
Na AstraZeneca e na Telefónica, os participantes conheceram experiências ligadas ao uso de ciência, dados, inteligência artificial, conectividade e plataformas digitais para apoiar processos, desenvolver soluções e ampliar a eficiência. Em comum, essas iniciativas mostram que a inovação não depende apenas de ferramenta, mas da capacidade de combinar conhecimento, infraestrutura e visão de longo prazo.
Responsável pelo Desenvolvimento de Negócios da Telefónica, Eva Aurín apresentou as tecnologias já disponíveis no mercado e as soluções desenvolvidas por startups apoiadas pela empresa.
Segundo ela, a proposta é mostrar a clientes e parceiros caminhos possíveis para enfrentar desafios do setor com apoio tecnológico.
Eva afirmou que esse debate ganha peso em um contexto marcado pelo envelhecimento da população, pelo aumento das doenças crônicas e pela pressão sobre os serviços assistenciais. Para ela, as ferramentas digitais ajudam a ampliar a capacidade de resposta do sistema e abrem novas possibilidades de organização do cuidado.
“O setor está em um modelo insustentável, mas, graças ao uso de tecnologia, como a inteligência artificial para apoio aos diagnósticos, é possível tornar esse sistema mais sustentável e entregar um serviço melhor ao paciente”, afirmou.
Entre os exemplos citados por ela estão plataformas de telemedicina e dispositivos de monitoramento remoto, que permitem acompanhar o estado clínico de pacientes em casa e agilizar o encaminhamento ao hospital em caso de agravamento.
Para o superintendente de Saúde do SESI Nacional, Emmanuel Lacerda, os exemplos apresentados ao longo da programação reforçam que a saúde digital deve estar orientada ao paciente e aos beneficiários do sistema, com foco na melhoria da experiência do cuidado e dos resultados em saúde.
“Conhecer a experiência de saúde digital de um ecossistema sob as perspectivas da regulação, da organização do sistema e da cooperação público-privada, além das tecnologias aplicadas a modelos assistenciais centrados no paciente, nos inspira a construir uma saúde com mais qualidade, equidade e sustentabilidade no Brasil”, afirmou.
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Inovação e cuidado
A agenda ainda abriu espaço para a discussão sobre serviços figitais, que articulam atendimento presencial e recursos digitais. A proposta apresentada ao longo da formação aponta para modelos híbridos, em que telemedicina, monitoramento, prevenção e serviços conectados podem ampliar a efetividade do cuidado e melhorar a jornada do usuário.
No Barcelona Health Hub, o grupo teve contato com outra dimensão importante da transformação digital: a formação de ecossistemas de inovação. Ao reunir startups, empresas, pesquisadores e instituições, o espaço mostra que a inovação em saúde depende também de articulação, troca de conhecimento e construção de redes capazes de acelerar soluções com potencial de aplicação prática.
Nesses primeiros dias de imersão, Barcelona deixa menos a impressão de vitrine tecnológica e mais a de um laboratório em funcionamento. Entre governo, empresas, universidades e startups, o que se vê é um esforço contínuo para fazer a inovação sair do discurso e entrar na rotina dos serviços.
A participação on-line da secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, ajudou a trazer à formação um contraponto brasileiro às experiências observadas em Barcelona. Ao apresentar iniciativas em curso no SUS, ela ressaltou a importância de pensar a transformação digital a partir da escala do sistema brasileiro, da articulação entre entes federativos e da necessidade de integrar dados e serviços em benefício da população.
“A escolha da Espanha é significativa. A gente se inspira no sistema de saúde espanhol, que expressa a maturidade digital alcançada pelo país. Essa parceria com o SESI, em prol do desenvolvimento do Brasil, é muito importante”, disse.
Para o presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Hisham Mohamad Hamida, um dos diferenciais da iniciativa está na composição do grupo, que reúne gestores públicos, representantes do controle social e atores da iniciativa privada em uma agenda de troca sobre inovação, tecnologia e inteligência artificial.
“A diversidade dos participantes e a estrutura voltada ao aprendizado e ao networking têm sido uma experiência muito boa e que, com certeza, vai enriquecer as ideias e aquilo que a gente possa aplicar no Brasil.”
A programação segue até sexta-feira, 17 de abril, com debates sobre inteligência artificial, uso estratégico de dados, ecossistemas de inovação e plataformas digitais centradas no usuário.
