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Brasil refém do exterior? A verdade sobre a nossa dependência de fertilizantes em tempos de guerra

Por Agência de Notícias CNI - Publicado 23 de março de 2026

Com 80% da demanda suprida por importações, o Brasil pode enfrentar crise nesse segmento; País importa mais de 80% dos fertilizantes que consome: leia estudo da CNI sobre o tema


A escalada da guerra no Oriente Médio e o bloqueio do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz colocam o Brasil em posição de vulnerabilidade no mercado internacional de insumos.

O País importa mais de 80% dos fertilizantes que consome e, em meio a um risco de desabastecimento, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alerta para a necessidade de retomar e fortalecer a indústria nacional de fertilizantes para garantir a segurança da produção brasileira.

A CNI fez um levantamento sobre esse assunto :

Fertilizantes_2025.pdf(15,9 MB)

Vamos entender o cenário?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombardear o setor energético do Irã e, em resposta a esta incisiva, o Irã afirmou que poderia implantar minas navais nas rotas de acesso ao Golfo Pérsico.

O risco de ataques a navios cargueiros e a presença de minas marítimas dispararam os custos de seguro e frete, fazendo com que muitas embarcações evitem a região ou fiquem retidas em portos seguros.

Fazendo uma comparação, o Estreito de Ormuz é a garganta do Golfo Pérsico. E é por esse canal estreito que passa cerca de 20% de todo o petróleo do mundo e uma fatia grande dos fertilizantes nitrogenados e fosfatados que o Brasil importa.

E as consequências?

Os preços dos insumos básicos, como a ureia, dispararam mais de 50% desde o início do ano. Uma das ponderações da CNI é que a excessiva dependência de um grupo concentrado de fornecedores externos compromete a competitividade da indústria nacional e onera toda a cadeia produtiva.

Além disso, a baixa competitividade da indústria brasileira passa pela alta volatilidade e pelos preços elevados do gás natural, insumo vital para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.

O superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, adverte que o descompasso afeta a economia do país e suas exportações.

“Restrições ao fornecimento de fertilizantes no mercado externo elevam o custo da produção agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos. Então, a dependência externa também afeta nossas exportações e a segurança alimentar dos brasileiros. Em junho deste ano, por exemplo, o preço médio do gás natural ao consumidor industrial do Brasil foi de US$ 18,64/MMBtu (Milhão de Unidades Térmicas Britânicas), enquanto nos Estados Unidos foi de US$ 3,67/MMBtu, ou seja, valor muito superior ao praticado em mercados internacionais", aponta Fabrício Silveira.

Insumos vitais 

Os agrominerais, como potássio e fósforo, são insumos vitais para a indústria de fertilizantes e a agricultura. A atual dependência externa desses insumos ressalta a urgência de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) no setor.

De acordo com levantamento da CNI, é fundamental desenvolver novas fontes de base mineral e práticas tecnológicas inovadoras, adaptadas ao clima tropical e subtropical do Brasil. O estudo defende a ampliação do conhecimento geológico, capaz de identificar jazidas com potencial agrícola ainda inexploradas.

Como reverter?

A CNI defende a execução de políticas robustas, como o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que pretende reduzir a dependência externa para 45% até 2050, e a Missão 1 da Nova Indústria Brasil (NIB), focada no adensamento da cadeia produtiva local.

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