
Um grupo de mais de 260 representantes da indústria brasileira, entre empresários e executivos, embarcam para a Alemanha para participarem da Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, e do 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), o principal fórum bilateral do setor produtivo dos países.
A missão empresarial será de 20 a 24 de abril e é liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com uma programação focada em resultados práticos com reuniões de negócios, mesas redondas empresariais e visitas a indústrias como Airbus, Mercedes-Benz e Volkswagen.
A iniciativa ocorre em meio ao estreitamento dos laços Brasil-Alemanha. De acordo com levantamento da CNI, em 2025 os países movimentaram US$ 20,9 bilhões em comércio bilateral, com exportações brasileiras de US$ 6,5 bilhões - uma alta de 11,6% - e importações de US$ 14,4 bilhões. Além disso, a Alemanha é o oitavo maior investidor no Brasil, com estoque de US$ 38,5 bilhões (2024). Esse cenário reforça o potencial de expansão de negócios e cooperação industrial, especialmente em segmentos de maior valor agregado.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a participação brasileira representa um momento estratégico de projeção internacional. “Esta é uma oportunidade única que permitirá ao Brasil promover sua indústria. O protagonismo brasileiro contribuirá para o fortalecimento de negócios, a atração de investimentos e a ampliação do país no mercado internacional”, afirma.
EEBA reúne cerca de 800 participantes em solo alemão
Eixo central da missão empresarial, o EEBA está marcado para segunda-feira (20), às 10h, e deve reunir 800 participantes - dos quais 550 são brasileiros. Realizado pela CNI em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI, na sigla em alemão), o objetivo do evento é promover diálogo estruturado para ampliar comércio, investimentos e cooperação industrial.
Além do número expressivo de participantes, esta edição do EEBA se torna ainda mais relevante com a conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia e às vésperas da aplicação provisória do tratado nos países dos blocos - uma demanda antiga tanto do Brasil como da Alemanha. Com o potencial transformador do acordo para as relações bilaterais, a expectativa da indústria é que haja aumento do comércio com redução de tarifas, maior previsibilidade regulatória e avanço da integração produtiva. Além disso, o tratado deve impulsionar a diversificação das exportações brasileiras e ampliar o acesso a insumos e investimentos europeus, uma oportunidade de inserção qualificada no comércio internacional.
Comista reúne governos e indústrias brasileiras e alemãs
Na véspera do EEBA, no domingo (19), os setores público e privado dos dois países se reúnem na 51ª Comissão Mista de Cooperação Econômica Brasil-Alemanha (Comista), um dos mecanismos bilaterais mais consistentes desde 1974. A reunião entre os governos e os representantes das indústrias brasileira e alemã tem objetivo de fortalecer laços comerciais, com debates voltados para energia, sustentabilidade, tecnologia e investimentos, focando na participação brasileira na feira internacional.
Entre as pautas previstas estão o Acordo Mercosul-UE e a competitividade brasileira, o Acordo para Evitar a Dupla Tributação (ADT) Brasil-Alemanha e o apoio para expansão de projetos conjuntos e iniciativas voltadas à digitalização, inteligência artificial, descarbonização e biocombustíveis.
Brasil é o país parceiro da Hannover Messe 2026
A mobilização do setor industrial para a Alemanha ganha ainda mais relevância no contexto em que o Brasil é o país parceiro da edição 2026 da Hannover Messe, uma posição de destaque que permite mostrar o potencial brasileiro de transformação industrial, de sustentabilidade e de oferecer aos expositores e visitantes diversas oportunidades em espaços físicos na feira.
Neste contexto, no pavilhão brasileiro da Hannover Messe haverá um espaço para apresentar o papel integrado do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) como os pilares de educação, tecnologia e inovação que sustentam a competitividade da indústria brasileira - posicionando-os como parceiros estratégicos para empresas e governos que buscam investir e colaborar com o Brasil no setor de energia e infraestrutura.
O espaço será uma espécie de laboratório de soluções imersivo, voltado para experiências práticas, com foco na mensagem de que o futuro da energia e da infraestrutura depende da tecnologia de ponta e do capital humano qualificado e saudável.
Entre os destaques estão a Aliança Educacional, que investe em startups de educação com foco em soluções inclusivas e acessíveis; o FIRST Tech Challenge (FTC), competição de robótica para jovens de 14 a 18 anos, que projetam e programam robôs de até meio metro com base na metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática); a NAI, ferramenta de inteligência artificial do SENAI; e o programa MAGBRAS, que estrutura o ciclo de produção e reciclagem de ímãs de terras raras, usados em motores e na geração de energia eólica
A inauguração oficial da feira, em 19 de abril, contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do chanceler alemão Friedrich Merz e do presidente da CNI, Ricardo Alban. Os dois chefes de Estado também participarão da abertura do EEBA no dia 20.
Missão empresarial é realizada por meio do convênio entre CNI e ApexBrasil
A missão empresarial é articulada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), no convênio entre a CNI e a ApexBrasil. A expectativa é que o intercâmbio com o empresariado alemão impulsione parcerias em áreas como digitalização, energia e manufatura avançada.
