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Emprego do futuro será intensivo em educação, afirmam palestrantes do Congresso de Inovação da Indústria

Por Agência CNI de Notícias - Publicado 11 de junho de 2019

Especialistas avaliaram os impactos da atual revolução tecnológica

Os empregos do futuro serão intensivos em educação e irão transbordar as fronteiras dos países. Esses e outros impactos provocados pela atual revolução tecnológica foram debatidos durante o painel “O futuro do trabalho: tendências no Brasil e no mundo”, realizado durante o 8º Congresso Brasileiro de Inovação Industrial, nesta segunda-feira, em São Paulo. O evento é organizado a cada dois anos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A visão da especialista norte-americana April Rinne, fundadora, conselheira e investidora da April Worldwide, é que a tecnologia vai estimular a existência cada vez maior do trabalho remoto, não apenas feito de casa como em países diferentes da sede da empresa para qual o profissional trabalha. “Na maior parte da história, fronteiras tradicionais limitaram a mobilidade, a conectividade, e políticas como vistos de trabalho mantiveram as forças de trabalho nacionais separadas. Atualmente, novas tecnologias tornaram o trabalho remoto mais fácil do nunca antes”, afirmou.

Para ela, a tendência é uma super globalização do trabalho, com empresas buscando trabalhadores onde quer que estejam. E esses profissionais não precisarão mudar-se de país para assumir o novo posto. A Estônia, por exemplo, criou o programa E-residente, identificação com qual cidadãos do mundo inteiro podem usufruir de serviços digitais da antiga integrante da União Soviética. Rinne acredita que esse modelo permitirá às empresas contratar talentos em seus ramos de atuação e aos trabalhadores obter oportunidades além das fronteiras de seus países. 

A especialista avalia que o maior desafio nesse campo será garantir empregos que respeitem a “humanidade” dos trabalhadores. “A implicação humana do futuro do trabalho tem vantagens e desvantagens. Trabalho remoto permite flexibilidade, escolha e oportunidade e deve se tornar estratégia de inovação de empresas e autoridades. Ao mesmo tempo, a automação deve eliminar empregos, o que traz riscos para todos os países, inclusive o Brasil. Nesse mundo de fronteiras, empregos e normas que se derretem nossa maior prioridade, e o maior desafio, tem de ser assegurar que esse futuro funcione para todos”, defendeu. “O futuro do trabalho é um sistema complexo de tecnologia e de humanos, no qual estão colocadas questões como bem estar, dignidade e habilidade para contribuir com a sociedade”.

TRABALHO INTELECTUAL – O professor e pesquisador da Universidade de Oxford, no Reino Unido, Daniel Susskind, outro participante do debate, avaliou que a tecnologia irá transformar e até substituir tanto profissões de baixa qualificação quanto as de nível superior. Segundo ele, quando se decompõe o trabalho de profissionais como advogados, médicos e arquitetos percebe-se que maior parte das tarefas são rotineiras e poderiam ser feitas por máquinas. “Quando decompomos uma ocupação em tarefas, percebemos que é possível automatizar muito mais de uma profissão do que se supunha antes”, afirmou. “Está claro para nós que a tecnologia realmente está tendo um enorme impacto nas profissões intelectuais (white-collar workers)”.

Ele também diz que é uma “falácia” a percepção de que não seria possível automatizar tarefas não-rotineiras como criatividade, empatia e julgamento com os quais os humanos tomam decisões estratégicas. Susskind diz que a inteligência artificial tem atuado nesse campo por meio de recursos “não humanos”, como máquinas que fazem a comparação de milhares de laudos médicos disponíveis para cravar um diagnóstico mais preciso do que um ser humano.

EDUCAÇÃO É TUDO – No painel, o diretor de Operações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Gustavo Leal, também avaliou que a educação será decisiva nos empregos do futuro. Os humanos terão diferentes níveis de interação com a tecnologia – entre o nível básico de usuário até o de desenvolvedor de novas máquinas – mas que, em todos terão empregos mais complexos. “Os novos empregos serão bem diferentes, vão ser muito mais intensos em ocupações cognitivas, em capacidade de análise, de ser criativo, de solução de problemas complexos. Eles vão ser muito mais intensivos em educação”, prevê.

Ele afirma ainda que a educação precisa se apropriar das novas tecnologias para formar os novos profissionais preparados para responder às demandas do mundo do trabalho, assim como é necessário requalificar os profissionais que já atuam. “O grande desafio que está posto para o Brasil e para todos os países é realmente como melhorar radicalmente nosso processo educacional para preparar nossa população”, avaliou.

Durante o debate, o empresário Horácio Lafer Piva, integrante da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) – grupo de 200 executivos coordenado pela CNI – levantou preocupações com riscos trazidos pela tecnologia, como o efeito concentrador de renda, sobre a democracia e a destruição de empregos. Mas ele se diz confiante no ser humano. “Eu tenho uma visão preocupada, mas como sou um democrata de carteirinha eu acredito que se a comunidade de fato conseguir se envolver nessa discussão, nós temos saída”, afirmou. Participou também do painel, o diretor de Administração e Finanças do Sebrae, Eduardo Diogo. 

CONFIRA - Acompanhe o especial da Agência CNI de Notícias sobre o 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria e saiba mais. Veja também a cobertura fotográfica no Flickr da CNI.

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