
Produtividade estagnada, juros elevados, endividamento crescente e o peso do chamado Custo Brasil estão entre os principais desafios para o crescimento econômico do país. Na avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, esses fatores precisam ser considerados no debate sobre temas estruturais, como a possível revisão da jornada de trabalho e da produtividade do país.
Em entrevista à Agência de Notícias da Indústria, Alban defendeu que mudanças dessa natureza devem ser discutidas com responsabilidade, com base em dados econômicos e fora do ambiente eleitoral.
Debate sobre jornada de trabalho exige responsabilidade
O setor industrial brasileiro defende que o debate sobre a redução da jornada de trabalho, incluindo a possível revisão da escala 6x1, seja conduzido com diálogo entre trabalhadores, empresas e sociedade.
Segundo Alban, mudanças estruturais nas relações trabalhistas precisam ser sustentáveis para todos.
Juros altos e endividamento pressionam economia
Outro ponto de preocupação apontado pela indústria é o atual nível de juros no país. A taxa básica de juros, a Selic, está em 10,50% ao ano, definida pelo Banco Central do Brasil. Segundo o setor, taxas elevadas impactam diretamente o custo do crédito, o investimento produtivo e o consumo das famílias.
Para Alban, o cenário de endividamento crescente, somado ao aumento de tributos e ao custo do crédito, pode criar um ciclo econômico difícil de sustentar.
Segundo ele, os juros elevados também acabam pressionando preços em diferentes áreas da economia, com impactos indiretos em políticas públicas e serviços essenciais, como financiamento habitacional e assistência médica
Um dos principais pontos levantados pelo setor industrial é o histórico de baixa produtividade da economia brasileira.
Dados indicam que a produtividade do país cresce lentamente há décadas. A produtividade do trabalho no Brasil avançou entre 0,4% e 0,5% ao ano desde os anos 1980, ritmo considerado baixo em comparação com outras economias emergentes.
Na indústria, o cenário é ainda mais desafiador. Dados da CNI indicam que a produtividade do trabalho na indústria de transformação vem registrando queda nos últimos anos, com recuo de 0,8% em 2024, marcando o quinto ano consecutivo de retração do indicador no setor.
Alban ressalta que avanços tecnológicos, inovação e o uso de inteligência artificial podem contribuir para elevar a eficiência das empresas. Porém, o país ainda está atrasado nesse processo.
Custo Brasil segue como principal entrave
Entre os principais obstáculos ao crescimento econômico, o setor industrial aponta o chamado Custo Brasil: conjunto de fatores estruturais que encarecem a produção no país.
Elevada carga tributária, juros altos, infraestrutura deficiente, insegurança jurídica e custos energéticos são alguns elementos que compõem o Custo Brasil.
Diálogo com Judiciário e Legislativo
O presidente da CNI também destacou conversas recentes com representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário sobre temas relevantes para o ambiente de negócios no país.
Segundo Alban, o setor industrial foi convidado a apresentar propostas de uma agenda de interesse da indústria ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Alban também tem mantido conversas com o presidente do Senado Federal do Brasil, Rodrigo Pacheco, sobre pautas em discussão no Congresso e os desafios econômicos do país. Segundo o dirigente, o objetivo é contribuir com propostas e fortalecer o ambiente de negócios no Brasil.
Agenda legislativa será entregue ao Congresso! Em meio ao debate sobre reformas e desafios econômicos, a CNI apresentará ao Congresso Nacional, no dia 24 de março, uma nova Agenda Legislativa da Indústria.
O documento reúne recomendações consideradas prioritárias para melhorar o ambiente de negócios no país. Além disso, a entidade também deve apresentar o projeto Brasil 2050, um conjunto de propostas estratégicas para o desenvolvimento econômico de longo prazo.
Segundo Alban, a iniciativa busca contribuir para que o Brasil avance em competitividade e deixe de ser visto apenas como um país em desenvolvimento.
Confira a entrevista completa no vídeo: